‘Nenhum’ Category

Canção da Infância, Peter Handke

June 15th, 2010

Quando a criança era criança,
andava balançando os braços,
queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.

Quando a criança era criança,
não sabia que era criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.

Quando a criança era criança,
não tinha opinião a respeito de nada,
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.

Quando a criança era uma criança
era a época destas perguntas:
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?

Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.

Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.

Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.

Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.

Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.

Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje.

As Horas – Desassossego

October 2nd, 2009

Há meses penso nesse texto de Fernando Pessoa sem ir atrás dele, desde que o ouvi em Turismo Infinito. Só poderia ser de Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.

15h49

Qualquer deslocamento das horas usuais traz sempre ao espírito uma novidade fria, um prazer levemente desconfortante. Quem tem o hábito de sair do escritório às seis horas, e por acaso saia às cinco, tem desde logo um feriado mental e uma coisa que parece pena de não saber o que fazer de si.

Ontem, por ter de que tratar longe, saí do escritório às quatro horas, e às cinco tinha terminado a minha tarefa afastada. Não costumo estar nas ruas àquela hora, e por isso estava numa cidade diferente. O tom lento da luz nas frontarias usuais era de uma doçura improfícua, e os transeuntes de sempre passavam por mim na cidade ao lado, marinheiros desembarcados da esquadra de ontem à noite.

Eram ainda horas de estar aberto o escritório. Recolhi a ele com um pasmo natural dos empregados de quem me havia já despedido. Então de volta? Sim, de volta. Estava ali livre de sentir, sozinho com os que me acompanhavam sem que espiritualmente ali estivessem para mim… Era em certo modo o lar, isto é, o lugar onde se não sente.

Mafalda

August 31st, 2009

Você percebe que o mundo ainda pode ser um lugar que valha a pena quando ainda tem gente que se presta a cometer delicadezas como a estátua da foto.

mafalda

Notícia completa aqui. Mafalda rules, espaço público rules, San Telmo rules.

Pequenos abusos cotidianos (ou minúsculas aflições pequeno-burguesas)

July 28th, 2009

Estaciono numa vaga de Zona Azul, aquele programa que a prefeitura de São Paulo inventou pra rachar os lucros com os flanelinhas da cidade. Lá vem o rapaz, sorridente, talão na mão:

- Você vai em algum dos restaurantes?
- Não, vou no banco. Quanto é a folhinha?
- É três reais. Mas pode ir lá que eu fico aqui vigiando. Se aparecer o fiscal eu ponho o papel. Aí na volta você me dá os três reais.

Na volta:

- Então, quanto é a folha mesmo?
- É três reais.
- Vou te dar os três reais mas vou querer a folha.
- Mas então é os três da folha mais três do café, certo, chefe?
- Não. São só os três reais da folha mesmo.
- Beleza então.

Dou o dinheiro, ele dá o troco, eu olho pra cara dele, ele sorri.

- Tá certinho, chefe.
- Tá nada, me dá a folhinha.

RSVP

July 4th, 2009

Sempre recebo muitos convites enviados no atacado pelo Orkut, e-mail, etc. Convites para aniversários, batizados, comemorações, reencontros. Engraçado é que muitas das pessoas certamente sequer se lembram de mim, mas têm preguiça de selecionar um a um os destinatários e caem na tentação de enviar para todos.

Minha vontade: a de qualquer dia aparecer num desses eventos, só pra ver a cara de surpresa do anfitrião ao ver uma pessoa completamente inesperada. Aí eu soltaria um “mas você me convidou, fiquei com saudades de você, e vim pra cá!”.

Eu poderia chegar de fraque, inclusive. Mesmo sendo uma reunião informal de colegas de colégio.

Oops, I did it again

June 15th, 2009

Vanilla Sky

Paulista

Enquanto não posto nada

June 10th, 2009

Mais uma vez essa música. Porque eu adoro a letra, a música e o clipe. E porque não tem como não me identificar com ela nos últimos meses – e o fato de não conseguir postar nada é quase como a citação aos livros, na letra.

Sobre os homens-máquina

April 12th, 2009

kraft1

Esse post eu queria escrever desde que foi anunciada a improvável e sensacional escalação de banda internacional para dividir o palco do Just a Fest com o Radiohead. Quando todos esperavam coisas muderninhas (possivelmente numa linha mais “post-rock”, como os islandeses do Sigur Rós), a banda anunciada foi um bocado diferente: os alemães do Kraftwerk, os pioneiros na criação de música sintetizada no mundo, hoje já velhinhos.

O show que eles apresentaram no Jóquei (e não na chácara!) em 2004 está entre os 3 shows inesquecíveis de minha vida – e grande parte de minha empolgação para o Just a Fest era por revê-los. E vê-los em um show “pocket”, para 30 mil pessoas que não os conhecia (e não os entendia), foi muito menos empolgante do que vê-los em seu show completo, para 5 mil pessoas que sabiam de sua importância para a história da música – mas ainda assim foi ótimo rever aquelas imagens.

Acontece que é uma experiência muito ousada (apesar de pertinente) colocá-los num palco de um megashow de rock – e as reações são muito diversas. Amigos que não conheciam gostaram, pessoas que não estavam ali para vê-los faziam questão de ironizar e conversar durante toda a performance, muita gente elogiava as imagens que vinham do palco, e muitos faziam a inevitável piada: estarão aqueles tiozinhos imóveis no palco mexendo em seus laptops conversando no MSN?

O que poucos percebem/analisam é o imenso potencial crítico que o show do Kraftwerk tem – e era sobre isso que eu queria escrever faz um tempão. Mas para isso era preciso tempo – e paciência. E por isso mesmo, quase desisti de desenvolver meu raciocínio. Mas eis que o Elder e o Fabrício me encaminham uma postagem do Mario Amaya, blogueiro que acompanhei por muito tempo mas que fazia muito tempo que não lia. Como disse ao Elder, poupou-me de boa parte de meus argumentos. E, de quebra, desbanca o argumento medíocre do Diogo Mainardi, o que também é sempre divertido. Transcrevo aqui sua postagem:

EM DEFESA DO KRAFTWERK

É um sintoma de que algo não vai bem com um veículo grande quando, além de você nem se importar em lê-lo, todas as menções que chegam sobre ele são negativas. Aconteceu isso quando o Diogo Mainardi escreveu em sua coluna um texto magnificamente enviesado sobre o show de Kraftwerk e Radiohead.

Como um exercício de demonstrar como um insolente zé-quase-ninguém da subimprensa blogueira pode rebater o argumento de um privilegiado palpiteiro da velha mídia, me diverti em escrever uma defesa do Kraftwerk em dez minutos e jogá-la na lista de discussão onde o assunto emergiu. Pelo menos neste cantinho da Web alguma justiça se faz com os velhos alemães.

Acompanhei seus primeiros discos. Autobahn e Radio-Activity. Em 1977, quando saiu Trans-Europe Express, eu já desistira do grupo. Tinha 15 anos. Era velho demais. Quase a idade de Mozart em 1775. Naquele tempo, o Kraftwerk evocava o futuro. Mas era uma imagem do futuro de 30 anos atrás. Ridiculamente datada. Embolorada. Caduca. Com seus uniformes aderentes, com sua imobilidade no palco, com suas letras afásicas, com seus arranjos elementares, com sua batida narcótica, com sua tecnologia rudimentar, o futurismo caipira do Kraftwerk era igual ao do seriado de TV com marionetes “Os Thunderbirds”.

Para começar, um esclarecimento: os primeiros discos da banda não são os citados. Autobahn já era o quarto creditado ao Kraftwerk. Memória ruim? Desleixo para checar fontes? Maus sinais.

Ele reclama que som do Kraftwerk é de um futurismo caipira de antigamente. Surpresa! É exatamente isso mesmo. Já soava estranhamente retrô em sua época original, mesmo usando instrumentos modernos. Por quê? Porque na estrutura as músicas são deliberadamente conservadoras. Mas o Diogo não tinha como pescar isso com 15 anos, e até hoje não conseguiu. Nunca entendeu que a afetação do Kraftwerk é uma elaborada ironia. Não bastaria ter mais cultura, o Diogo precisaria também de senso de humor.

O disco Autobahn, de 1974, que mostra na capa um Mercedes-Benz e um Fusca, foi composto exatamente durante a primeira grande crise do petróleo. Os europeus, que já preferiam carros menores e mais modestos que os norte-americanos, estavam com um tremendo bode de automóvel em geral. A letra da música, celebrando a viagem de carro, é uma provocação, um comentário cínico sobre o estilo de vida que a geração do pós-guerra se dedicara a construir e então parecia desmoronar. E eles ainda tiveram a cara de pau de parodiar um estilo de canção folclórica alemã (a segunda melodia) para dar à composição um tom provinciano, de uma alegria alienada.

Durante os shows, a projeção de vídeo mostra filmes antigos de algumas Autobahnen recém-construídas, durante nada menos que o governo Hitler. Ironia sobre ironia.

Radio-Activity/Radio-Aktivität é um álbum que mistura o conceito de radiodifusão com o de radiação. A música título é um alerta contra o mau uso da energia nuclear. A versão corrente tocada nos shows começa com um texto falado alertando contra a produção descontrolada de lixo radioativo e emenda com nomes funestos relacionados ao tema: Chernobyl, Harrisburgh, Sellafield, Hiroshima.

Trans-Europe Express era uma rede de ferrovias de transporte de passageiros que cobria toda a Europa ocidental, mas declinou e fracassou comercialmente. Já estava quase toda desmantelada quando o Kraftwerk compôs a canção. É outro tema posto em evidência deliberadamente fora de sua época para criar ironia. A própria capa do disco é uma foto dos músicos no estilo dos anos 50. Sabendo do background histórico, que de fato não é óbvio para um brasileiro, você pode compreender o toque elegíaco, por vezes soturno, nesse hino às glórias do transporte ferroviário. As projeções nos shows do Kraftwerk mostram o TEE no seu princípio, nos anos 50. Os próprios carros dos trens tinham um estilo futurista brega e feioso, que envelhecera muito mal e reforça esteticamente o tom da música.

Por outro lado, os sons sampleados de metal chocando-se contra metal marcaram a gênese do estilo industrial. Que eu posso chutar com razoável chance de acerto que o Diogo desconhece completamente ou odeia.

Computerwelt/Computerworld, que o Mainardi não mencionou, é de 1981 e profetizou com impressionante precisão o atual estilo de vida baseado na Internet. O disco seguinte de 1983, que foi adiado para 1986 devido a um acidente de bicicleta de Hütter, chamaria-se “Techno Pop” e antecipava a estética de quase toda música pop que domina as rádios desde então, gostemos disso ou não. Outro disco não mencionado, The Man-Machine/Die Mensch-Maschine, especula sobre a relação cada vez mais complexa entre seres humanos e máquinas, o que só tem se confirmado desde então.

O ponto aqui é que você não precisa gostar do som para reconhecer que ele comenta temas relevantes da sociedade atual, e que o enfoque pseudo-retro-futurista põe em xeque a confiança que temos nos nossos planos e expõe o doloroso fato de que, na verdade, não temos a mínima ideia de para onde a civilização humana está indo.

Por fim, quatro caras que trocam a si mesmos por robôs durante a apresentação e voltam vestidos com roupas fluorescentes imitando wireframes de CG estão pedindo muito claramente para não serem levados a sério demais.

Mas a gente viu lá no começo que o Diogo não tem senso de humor, quer que tudo seja high art, não? Então OK.

O resto do texto lá é uma maneira patética e pobre de ostentar o relativo privilégio de ter visto o Radiohead do soundboard e ter conversado com alguns músicos, apesar de aparentemente ter detestado o show. O que previsivelmente se alinha à premissa da coluna: nada nunca pode ser bom, jamais algo merece elogios e a destruição inconsequente é a única atividade intelectual possível. Detestar tudo e falar mal sem limites dá prazer, não? Essa parece ser a derradeira conexão a um hausto definhante de vida artística de um melancólico fracassado (não o estou insultando, são as suas próprias palavras).

Diogo fecha o texto dizendo que a sua geração perdeu-se. Não vou entrar nesse debate, a esta hora alguém por aí já escreveu algumas boas provas do contrário. Seria bom agora que tivesse a dignidade de não gorar a geração atual, para a qual as suas lamúrias têm ainda menos valor que a cadeira que tanta falta fez para descansar seu cérebro fatigado.

Mário Amaya, do blog Different Thinker

kraft3

É isso aí, bela argumentação, Kraftwerk é exatamente isso. Mas ainda há mais coisas, que tornam o show, especificamente, ainda mais incrível. O que me chama a atenção é a ironia deles se apresentarem em pleno século XXI, era da “pós-modernidade” (seja lá o que isso realmente for) – quando toda essa modernidade apresentada parece ainda mais velha.

É com esses ícones altamente questionáveis da modernidade que o Mario levanta, que eles retratam o momento histórico-cultural-ideológico em que a própria banda surgiu, mas eles próprios são resultados dessa modernidade – e eles sabem muito bem disso. Qual é exatamente a diferença entre música sintética, exploração da energia por meio do enriquecimento de urânio e criação de robôs? Do ponto de vista de evolução técnica da humanidade, isso pode soar (e é) tudo a mesma coisa. A diferença é que a música tem o potencial para ironizar essa sua condição de forma inofensiva e divertida – enquanto a maior ironia da energia nuclear é, bem… a letra da música já dedura: Tschernobyl, Harrisburg, Sellafield, Hiroshima.

Do ponto de vista da apresentação, uma das coisas que mais chamam a atenção (e incomodam os mais desavisados) é o fato dos músicos não se mexerem – é o aparato técnico que torna o show deslumbrante, em mais uma ironia com essa fascinação tecnocêntrica. E um dos pontos altos da apresentação torna isso ainda mais evidente: os alemães dão seu lugar no palco a robôs com movimentos altamente limitados, supostamente substituindo os músicos na execução daquela que talvez seja a mais dançante das músicas do show. A ironia continua com a letra: “We’re functioning automatic” – e ainda tem (mais) um tapa de leve na cara do público quando diz “and we are dancing mechanic” – afinal, a mecanização não é só por parte do artista.

Aí a gente para pra pensar. A música eletrônica continua aí, cada vez menos guetificada (vide a própria obra do Radiohead, que seria muito diferente sem a influência, ainda que indireta, das experiências do Kraftwerk na década de 70). Usinas nucleares também estão aí. Megaempreendimentos progressistas, como trens e auto-estradas, também. Modelos continuam desfilando no mundo da moda. Shows megalomaníacos e high-tech estão sempre em alta (vide Madonna, U2, Radiohead e o próprio Kraftwerk – e também cinemas Imax, musicais da Broadway, etc etc etc.) E as calculadoras de bolso evoluíram e fazem mais música do que nunca.

PS: Quer ver o show deles? Procure pelo DVD Minimum-Maximum. Vale a pena.
PPS: As fotos deste post são de RCB Photos e Cristal en Vivo. Creative Commons, como tudo deveria ser.

Silencio

March 31st, 2009

biel3

Prêmio Release Grotesco

February 24th, 2009

Salvos por órgãos de Eloá viram estrelas em ‘Oscar’ dos transplantes

Os pacientes beneficiados pela doação dos órgãos da estudante Eloá Pimentel, assassinada no ano passado em Santo André , no Grande ABC, serão as estrelas da cerimônia de entrega do Prêmio Destaque em Transplantes, uma espécie de “Oscar” do setor. Maria Augusta dos Anjos (coração), Emerson Gentil Dardes (pâncreas e rim) e Livia Amodio Novais (córnea) irão entregar prêmios às equipes vencedoras.

O evento acontece logo mais às 11h, no auditório “José Ademar Dias” da Secretaria, que fica na avenida Doutor Arnaldo, 351, em Cerqueira César , zona oeste de São Paulo.

Secretaria de Estado da Saúde
Assessoria de Imprensa

Essa sociedade do espetáculo não é emocionante?

Últimas

February 22nd, 2009

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Just for Fun

January 19th, 2009

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Laerte

January 14th, 2009

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Confianzas

January 3rd, 2009

Poema lindo, lindo, de Juan Gelman. Nesta gravação, musicado pelo pessoal do Gotan Project e com a voz da atriz Cecilia Roth.

Se sienta a la mesa y escribe
«Con este poema no tomarás el poder» dice
«Con estos versos no harás la Revolución» dice
«Ni con miles de versos harás la Revolución» dice

Y más: esos versos no han de servirle para
Que peones maestros hacheros vivan mejor
Coman mejor o él mismo coma viva mejor
Ni para enamorar a una le servirán

No ganará plata con ellos
No entrará al cine gratis con ellos
No le darán ropa por ellos
No conseguirá tabaco o vino por ellos

Ni papagayos ni bufandas ni barcos
Ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
Si por ellos fuera la lluvia lo mojará
No alcanzará perdón o gracia por ellos

«Con este poema no tomarás el poder» dice
«Con estos versos no harás la Revolución» dice
«Ni con miles de versos harás la Revolución» dice
Se sienta a la mesa y escribe

Numa (porquíssima) tradução para a língua de Camões, fica assim:

Senta-se à mesa e escreve
“Com este poema não tomará o poder”, diz
“Com estes versos não fará a Revolução”, diz
“Nem com milhares de versos fará a Revolução”, diz

E mais: esses versos não lhe servirão para
Que peões professores lenhadores vivam melhor
Comam melhor // Ou que ele mesmo coma, viva melhor
Nem para apaixonar alguém lhe servirão

Não ganhará dinheiro com eles
Não entrará grátis no cinema com eles
Não lhe darão roupa por eles
Não conseguirá tabaco ou vinho por eles

Nem papagaios nem cachecol nem barcos
Nem touros nem guarda-chuvas conseguirá com eles
Se for expulso por eles, a chuva o molhará
Não alcançará perdão ou graça por eles

“Com este poema não tomará o poder”, diz
“Com estes versos não fará a Revolução”, diz
“Nem com milhares de versos fará a Revolução”, diz
Senta-se à mesa e escreve.

2009

December 31st, 2008

A última tirinha de Calvin & Haroldo desenhada por Bill Watterson.

Tradução:

Calvin: Uau, nevou muito na noite passada! Não é maravilhoso?

Haroldo: Tudo o que é familiar desapareceu! O mundo parece novinho em folha!

Calvin: Um ano novo… Um começo fresco, limpo!

Haroldo: É como ter uma grande folha de papel em branco para desenhar!

Calvin: Um dia cheio de possibilidades!
É um mundo mágico, Haroldo, velho amigo…
Vamos explorá-lo!

Então é assim

December 30th, 2008

Pra cada vez que me der vontade de postar aqui no blog mas, após a redação do post (ou antes mesmo de digitá-lo) eu perceber que a postagem é desnecessária, colocarei uma imagem idiota.

Diálogos do Cotidiano

December 16th, 2008

Elephant Man

- Tô pensando em mudar o visual, assumir de vez que eu não tenho cabelo.

- Raspar careca?

- Não sei ainda. Dá o maior medo…

- Sério? Mas e se você descobrir que é mega cabeçudo ou que tem um calombão?

- Adoro sua ultra-sinceridade! Muito encorajador da sua parte…

- Mas eu medi sua cabeça uma vez q te encontrei… Pareceu normal, sem nenhum calombo, e você não parecia cabeçudo.

- Essa conversa tá MUITO bizarra.

- Nossa, verdade.

Imagens

December 12th, 2008

buscemi_bobwilson

Tem certas imagens (e certas idéias) que grudam na cabeça que é uma beleza.

Finalmente!!

December 5th, 2008

Minha cota de Madonna eu quero tudo em Radiohead, façavor.

Revelação

November 22nd, 2008

Emenda de feriado é aquele dia ótimo pra resolver tudo aquilo que o horário comercial não te deixa fazer. No meu caso, uma delas é sair pra tirar fotos e, por conseqüência, mandar revelá-las (quando é o caso). Foi o que fiz nesse dia pós-consciência negra. Depois de passear pela Pinacoteca e ter todos os seguranças me olhando esquisito só porque eu carregava uma câmera da época da vovó, fui pro laboratório de sempre mandar revelar o filme.

- Vocês revelam filme de 120mm?
- Sim
- Quero revelar esse aqui.
- Ah, mas é PB. Tem que ser no Fulano (um nome japa).
- Onde fica?
- É lá na Barão de Itapetininga, mas já deve estar fechado – ele fecha cedo.

Lá vou eu pra Barão achar o tal do japa, que fica no nono andar de um prédio bem antigo. Abre o elevador, um corredor escuro com dezenas de portas numeradas. Com o problema que eu tenho com o sistema cartesiano, demoro um pouco pra achar a porta certa. Toco a campainha, um velhinho entreabre a porta.

- Oi, vim revelar um filme.
- Pode entrar.

Pega o rolinho, bota num envelope, olha na minha cara e pergunta meu nome.

- Fica pronto segunda às duas da tarde (inveja desse cara que só trabalha de segunda a sexta das 14 às 18h).

Ele já ia abrindo a porta pra eu ir embora, mas aí eu pergunto:

- Mas eu não fico com um canhoto, um recibo, nada?

O japinha abre um sorriso de moleque sapeca que acabou de fazer arte:

- Não. É que eu jogo tudo fora.