January, 2012

Das pessoas que admiro

January 29th, 2012

Faz 10 anos que conheci o Fabrício, na faculdade – mas foram grandes as chances de termos nos esbarrado antes, porque ambos fizemos os mesmos cursos no ensino médio, durante os mesmos anos, em duas escolas muito específicas, muito semelhantes entre si, muito próximas uma da outra e com vários alunos em comum.

Mas calhou da gente se conhecer em 2002, iniciando um curso para o qual ambos teríamos várias ressalvas nos anos seguintes – e que perduram até hoje. Estudamos juntos por dois anos, mas acabamos ficando amigos depois disso e por interesses muito mais nobres do que aqueles relacionados a um curso de comunicação.

Participamos de dois grupos de teatro (um na faculdade, outro profissional), criamos (com diversos outros amigos) projetos tão diversos como a Bacante (de crítica teatral) e o Coletivas (de empréstimo colaborativo de bicicletas), trabalhamos juntos em 2005 e depois em 2011. Com tantas atividades, vieram muitos amigos em comum, incontáveis cervejas, muitas histórias e momentos legais, muita inspiração e muito aprendizado.

Hoje ele parte pra uma travessia e tanto. Junto com o Affonso, amigo dos tempos do colégio, ficará mais de um ano percorrendo as Américas sobre suas bicicletas. De São Paulo até a região mais austral do continente americano, na Terra do Fogo, e do extremo sul até o extremo norte, no Alasca. Não tenho muitas palavras pra dizer o quão foda é esse projeto. Não apenas pelo roteiro escolhido ou pela decisão de fazê-lo sobre duas rodas, mas principalmente pela coragem de romper com o peso do tempo que se repete (rotina, família, amigos, emprego, etc) para viver uma experiência que não se obtém com um mísero mês de férias, que não se compra com nenhum dinheiro acumulado, e que não se reproduz seguindo um guia de viagem. Uma experiência que não pode ser degustada, tem que ser devorada.

Um projeto que só aumenta a admiração e o orgulho que tenho desse grande amigo que mal parte e já desperta a vontade de encontrá-lo em breve, em algum trecho desse percurso (se tudo der certo, eu e minha bicicleta embarcamos para acompanhá-los em Cuba, mais pro fim do ano). Que os bons ventos acompanhem esses malucos nessa travessia.

Update: agora é oficial, esse ano começo minha segunda graduação, na USP. E como bem observou o Fabrício, isso significa que, quando ele voltar, mais uma vez seremos colegas de faculdade: eu fazendo ciências sociais, ele filosofia.

Uma conquista

January 27th, 2012

Dia 26 de dezembro publiquei um post sobre o calvário que é ter que carregar uma bicicleta escadarias acima, por muitos andares, só porque o Metrô não deixa os ciclistas usarem as escadas rolantes. Desde então muita coisa aconteceu e merece ser registrada:

  • Enviei o link do texto para a Ouvidoria do Metrô, que prontamente me respondeu com um e-mail péssimo, inconclusivo e com erros de concordância. Basicamente dizia que bicicleta é um equipamento e que as escadas rolantes eram de uso exclusivo dos usuários.
  • Sem entender a relação entre uma informação e outra, e ainda na esperança de continuar sendo usuário (uma vez que, inclusive, eu pago passagem quando entro com a bicicleta), fiz uma reclamação via Twitter. Rapidamente responderam pedindo o número do protocolo.
  • Me ligaram da Ouvidoria, dessa vez pedindo desculpas pelo e-mail anterior, mostrando-se bastante abertos ao diálogo. Dei várias sugestões de possíveis saídas – como instalação de canaletas, liberação de uma única escada, liberação dos elevadores. A moça disse que me mandaria um e-mail e pediu para que eu respondesse com todas essas sugestões. Ela mandou, eu respondi.
  • Sabrina Duran, da Época SP, entrevistou Sérgio Avelleda, presidente do Metrô, que afirmou haver um estudo em andamento e que estaria aberto ao diálogo.
  • Nesse meio período, a Ciclo Liga, agrupamento de coletivos de ciclistas (entre esses o Coletivas, projeto do qual faço parte) preparou um vídeo ilustrativo desse cenário, juntamente com uma carta aberta ao presidente do Metrô, trazendo referências, ideias e proposições.
  • Além de enviar ao assessor do presidente, divulgamos essa carta nas redes e eu enviei também à Ouvidoria. Me ligaram no mesmo dia perguntando se eu topava ir lá pessoalmente bater um papo. A presidência do Metrô também se manifestou abrindo espaço para diálogo pessoalmente.
  • Anteontem, aniversário de São Paulo, a ViaQuatro, administradora da linha 4 – Amarela, liberou o uso das escadas rolantes pelos milhares de ciclistas que pegaram suas bicicletas novas em um megaevento promovido anualmente pudessem voltar para casa. Ao que consta, não ocorreram incidentes com as escadas.
  • Hoje no fim do dia chega a notícia de que a partir de sábado que vem, 4/2, Metrô, CPTM e ViaQuatro passarão a permitir o uso de bicicletas nas escadas rolantes nos trechos de subida (que são muito mais do que os de descida). A descida ainda rola no muque.

O que aprendemos com essa história?

  • Que com coerência, espírito propositivo e de diálogo, é possível conquistar coisas. Parabéns, Ciclo Liga.
  • Que há pessoas e entidades dispostas a esse diálogo. Parabéns, Metrô, CPTM e ViaQuatro (e todas as instâncias envolvidas).
  • Que com vontade política (ou ausência de má-vontade), pequenas atitudes podem beneficiar muitos.
  • Que há mudanças em que ninguém sai perdendo.
  • Que quem acha que órgãos públicos a priori são piores ou menos ágeis que órgãos privados pode morder a língua agora.
  • Que essa articulação civil da Ciclo Liga pode ter tido grande influência sobre essa decisão, mas que não é menos importante do que os esforços de todos os ciclistas que já reclamaram anteriormente pelas vias oficiais ou dos funcionários do Metrô que contribuíram para esse parecer. Parabéns pra essa galera também.
  • Que é bizarro ver sua própria panturrilha num vídeo.

Agora é fazer uso adequado das escadas para que o caráter de teste se torne definitivo. Parabéns e obrigado aos envolvidos!

Dois documentários para entender São Paulo

January 2nd, 2012

Feliz ano novo!