Revelação
Emenda de feriado é aquele dia ótimo pra resolver tudo aquilo que o horário comercial não te deixa fazer. No meu caso, uma delas é sair pra tirar fotos e, por conseqüência, mandar revelá-las (quando é o caso). Foi o que fiz nesse dia pós-consciência negra. Depois de passear pela Pinacoteca e ter todos os seguranças me olhando esquisito só porque eu carregava uma câmera da época da vovó, fui pro laboratório de sempre mandar revelar o filme.
- Vocês revelam filme de 120mm?
- Sim
- Quero revelar esse aqui.
- Ah, mas é PB. Tem que ser no Fulano (um nome japa).
- Onde fica?
- É lá na Barão de Itapetininga, mas já deve estar fechado – ele fecha cedo.
Lá vou eu pra Barão achar o tal do japa, que fica no nono andar de um prédio bem antigo. Abre o elevador, um corredor escuro com dezenas de portas numeradas. Com o problema que eu tenho com o sistema cartesiano, demoro um pouco pra achar a porta certa. Toco a campainha, um velhinho entreabre a porta.
- Oi, vim revelar um filme.
- Pode entrar.
Pega o rolinho, bota num envelope, olha na minha cara e pergunta meu nome.
- Fica pronto segunda às duas da tarde (inveja desse cara que só trabalha de segunda a sexta das 14 às 18h).
Ele já ia abrindo a porta pra eu ir embora, mas aí eu pergunto:
- Mas eu não fico com um canhoto, um recibo, nada?
O japinha abre um sorriso de moleque sapeca que acabou de fazer arte:
- Não. É que eu jogo tudo fora.
2008-12-01 at 5.53 pm
O marceneiro onde encomendo telas também não me dá recibos. Quando perguntei a primeira vez pelo meu soltou: “Não meu filho, sou bom de fisionomia”. Tem coisas que a tecnologia não nos rouba.
2008-12-03 at 12.46 pm
hehehe
adoro essa expressão, “fazer arte”
fazer arte é fazer coisa errada, da melhor forma possível