Revelação

Emenda de feriado é aquele dia ótimo pra resolver tudo aquilo que o horário comercial não te deixa fazer. No meu caso, uma delas é sair pra tirar fotos e, por conseqüência, mandar revelá-las (quando é o caso). Foi o que fiz nesse dia pós-consciência negra. Depois de passear pela Pinacoteca e ter todos os seguranças me olhando esquisito só porque eu carregava uma câmera da época da vovó, fui pro laboratório de sempre mandar revelar o filme.

- Vocês revelam filme de 120mm?
- Sim
- Quero revelar esse aqui.
- Ah, mas é PB. Tem que ser no Fulano (um nome japa).
- Onde fica?
- É lá na Barão de Itapetininga, mas já deve estar fechado – ele fecha cedo.

Lá vou eu pra Barão achar o tal do japa, que fica no nono andar de um prédio bem antigo. Abre o elevador, um corredor escuro com dezenas de portas numeradas. Com o problema que eu tenho com o sistema cartesiano, demoro um pouco pra achar a porta certa. Toco a campainha, um velhinho entreabre a porta.

- Oi, vim revelar um filme.
- Pode entrar.

Pega o rolinho, bota num envelope, olha na minha cara e pergunta meu nome.

- Fica pronto segunda às duas da tarde (inveja desse cara que só trabalha de segunda a sexta das 14 às 18h).

Ele já ia abrindo a porta pra eu ir embora, mas aí eu pergunto:

- Mas eu não fico com um canhoto, um recibo, nada?

O japinha abre um sorriso de moleque sapeca que acabou de fazer arte:

- Não. É que eu jogo tudo fora.

2 Responses to “Revelação”

  1. Emilliano F says:

    O marceneiro onde encomendo telas também não me dá recibos. Quando perguntei a primeira vez pelo meu soltou: “Não meu filho, sou bom de fisionomia”. Tem coisas que a tecnologia não nos rouba.

  2. hehehe
    adoro essa expressão, “fazer arte”
    fazer arte é fazer coisa errada, da melhor forma possível
    ;)

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