Oops, I did it again

Vanilla Sky Paulista

Enquanto não posto nada

Mais uma vez essa música. Porque eu adoro a letra, a música e o clipe. E porque não tem como não me identificar com ela nos últimos meses - e o fato de não conseguir postar nada é quase como a citação aos livros, na letra.

“A memória é uma ilha de edição”

Yellow (2004)

Hoje um pedaço do passado passou por mim na rua.

Eu, naquela época, andava engomadinho, com gel no cabelo e roupa social; hoje ando de cabelo raspado, barba crescida, calça xadrez e moletom.

Não me reconheceu, passou direto, e me poupou de falar sobre pessoas, lugares e tempos de que não faço questão.

De abrir um sorriso amarelo também. Melhor assim.

Sobre os homens-máquina

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Esse post eu queria escrever desde que foi anunciada a improvável e sensacional escalação de banda internacional para dividir o palco do Just a Fest com o Radiohead. Quando todos esperavam coisas muderninhas (possivelmente numa linha mais “post-rock”, como os islandeses do Sigur Rós), a banda anunciada foi um bocado diferente: os alemães do Kraftwerk, os pioneiros na criação de música sintetizada no mundo, hoje já velhinhos.

O show que eles apresentaram no Jóquei (e não na chácara!) em 2004 está entre os 3 shows inesquecíveis de minha vida - e grande parte de minha empolgação para o Just a Fest era por revê-los. E vê-los em um show “pocket”, para 30 mil pessoas que não os conhecia (e não os entendia), foi muito menos empolgante do que vê-los em seu show completo, para 5 mil pessoas que sabiam de sua importância para a história da música - mas ainda assim foi ótimo rever aquelas imagens.

Acontece que é uma experiência muito ousada (apesar de pertinente) colocá-los num palco de um megashow de rock - e as reações são muito diversas. Amigos que não conheciam gostaram, pessoas que não estavam ali para vê-los faziam questão de ironizar e conversar durante toda a performance, muita gente elogiava as imagens que vinham do palco, e muitos faziam a inevitável piada: estarão aqueles tiozinhos imóveis no palco mexendo em seus laptops conversando no MSN?

O que poucos percebem/analisam é o imenso potencial crítico que o show do Kraftwerk tem - e era sobre isso que eu queria escrever faz um tempão. Mas para isso era preciso tempo - e paciência. E por isso mesmo, quase desisti de desenvolver meu raciocínio. Mas eis que o Elder e o Fabrício me encaminham uma postagem do Mario Amaya, blogueiro que acompanhei por muito tempo mas que fazia muito tempo que não lia. Como disse ao Elder, poupou-me de boa parte de meus argumentos. E, de quebra, desbanca o argumento medíocre do Diogo Mainardi, o que também é sempre divertido. Transcrevo aqui sua postagem:

EM DEFESA DO KRAFTWERK

É um sintoma de que algo não vai bem com um veículo grande quando, além de você nem se importar em lê-lo, todas as menções que chegam sobre ele são negativas. Aconteceu isso quando o Diogo Mainardi escreveu em sua coluna um texto magnificamente enviesado sobre o show de Kraftwerk e Radiohead.

Como um exercício de demonstrar como um insolente zé-quase-ninguém da subimprensa blogueira pode rebater o argumento de um privilegiado palpiteiro da velha mídia, me diverti em escrever uma defesa do Kraftwerk em dez minutos e jogá-la na lista de discussão onde o assunto emergiu. Pelo menos neste cantinho da Web alguma justiça se faz com os velhos alemães.

Acompanhei seus primeiros discos. Autobahn e Radio-Activity. Em 1977, quando saiu Trans-Europe Express, eu já desistira do grupo. Tinha 15 anos. Era velho demais. Quase a idade de Mozart em 1775. Naquele tempo, o Kraftwerk evocava o futuro. Mas era uma imagem do futuro de 30 anos atrás. Ridiculamente datada. Embolorada. Caduca. Com seus uniformes aderentes, com sua imobilidade no palco, com suas letras afásicas, com seus arranjos elementares, com sua batida narcótica, com sua tecnologia rudimentar, o futurismo caipira do Kraftwerk era igual ao do seriado de TV com marionetes “Os Thunderbirds”.

Para começar, um esclarecimento: os primeiros discos da banda não são os citados. Autobahn já era o quarto creditado ao Kraftwerk. Memória ruim? Desleixo para checar fontes? Maus sinais.

Ele reclama que som do Kraftwerk é de um futurismo caipira de antigamente. Surpresa! É exatamente isso mesmo. Já soava estranhamente retrô em sua época original, mesmo usando instrumentos modernos. Por quê? Porque na estrutura as músicas são deliberadamente conservadoras. Mas o Diogo não tinha como pescar isso com 15 anos, e até hoje não conseguiu. Nunca entendeu que a afetação do Kraftwerk é uma elaborada ironia. Não bastaria ter mais cultura, o Diogo precisaria também de senso de humor.

O disco Autobahn, de 1974, que mostra na capa um Mercedes-Benz e um Fusca, foi composto exatamente durante a primeira grande crise do petróleo. Os europeus, que já preferiam carros menores e mais modestos que os norte-americanos, estavam com um tremendo bode de automóvel em geral. A letra da música, celebrando a viagem de carro, é uma provocação, um comentário cínico sobre o estilo de vida que a geração do pós-guerra se dedicara a construir e então parecia desmoronar. E eles ainda tiveram a cara de pau de parodiar um estilo de canção folclórica alemã (a segunda melodia) para dar à composição um tom provinciano, de uma alegria alienada.

Durante os shows, a projeção de vídeo mostra filmes antigos de algumas Autobahnen recém-construídas, durante nada menos que o governo Hitler. Ironia sobre ironia.

Radio-Activity/Radio-Aktivität é um álbum que mistura o conceito de radiodifusão com o de radiação. A música título é um alerta contra o mau uso da energia nuclear. A versão corrente tocada nos shows começa com um texto falado alertando contra a produção descontrolada de lixo radioativo e emenda com nomes funestos relacionados ao tema: Chernobyl, Harrisburgh, Sellafield, Hiroshima.

Trans-Europe Express era uma rede de ferrovias de transporte de passageiros que cobria toda a Europa ocidental, mas declinou e fracassou comercialmente. Já estava quase toda desmantelada quando o Kraftwerk compôs a canção. É outro tema posto em evidência deliberadamente fora de sua época para criar ironia. A própria capa do disco é uma foto dos músicos no estilo dos anos 50. Sabendo do background histórico, que de fato não é óbvio para um brasileiro, você pode compreender o toque elegíaco, por vezes soturno, nesse hino às glórias do transporte ferroviário. As projeções nos shows do Kraftwerk mostram o TEE no seu princípio, nos anos 50. Os próprios carros dos trens tinham um estilo futurista brega e feioso, que envelhecera muito mal e reforça esteticamente o tom da música.

Por outro lado, os sons sampleados de metal chocando-se contra metal marcaram a gênese do estilo industrial. Que eu posso chutar com razoável chance de acerto que o Diogo desconhece completamente ou odeia.

Computerwelt/Computerworld, que o Mainardi não mencionou, é de 1981 e profetizou com impressionante precisão o atual estilo de vida baseado na Internet. O disco seguinte de 1983, que foi adiado para 1986 devido a um acidente de bicicleta de Hütter, chamaria-se “Techno Pop” e antecipava a estética de quase toda música pop que domina as rádios desde então, gostemos disso ou não. Outro disco não mencionado, The Man-Machine/Die Mensch-Maschine, especula sobre a relação cada vez mais complexa entre seres humanos e máquinas, o que só tem se confirmado desde então.

O ponto aqui é que você não precisa gostar do som para reconhecer que ele comenta temas relevantes da sociedade atual, e que o enfoque pseudo-retro-futurista põe em xeque a confiança que temos nos nossos planos e expõe o doloroso fato de que, na verdade, não temos a mínima ideia de para onde a civilização humana está indo.

Por fim, quatro caras que trocam a si mesmos por robôs durante a apresentação e voltam vestidos com roupas fluorescentes imitando wireframes de CG estão pedindo muito claramente para não serem levados a sério demais.

Mas a gente viu lá no começo que o Diogo não tem senso de humor, quer que tudo seja high art, não? Então OK.

O resto do texto lá é uma maneira patética e pobre de ostentar o relativo privilégio de ter visto o Radiohead do soundboard e ter conversado com alguns músicos, apesar de aparentemente ter detestado o show. O que previsivelmente se alinha à premissa da coluna: nada nunca pode ser bom, jamais algo merece elogios e a destruição inconsequente é a única atividade intelectual possível. Detestar tudo e falar mal sem limites dá prazer, não? Essa parece ser a derradeira conexão a um hausto definhante de vida artística de um melancólico fracassado (não o estou insultando, são as suas próprias palavras).

Diogo fecha o texto dizendo que a sua geração perdeu-se. Não vou entrar nesse debate, a esta hora alguém por aí já escreveu algumas boas provas do contrário. Seria bom agora que tivesse a dignidade de não gorar a geração atual, para a qual as suas lamúrias têm ainda menos valor que a cadeira que tanta falta fez para descansar seu cérebro fatigado.

Mário Amaya, do blog Different Thinker

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É isso aí, bela argumentação, Kraftwerk é exatamente isso. Mas ainda há mais coisas, que tornam o show, especificamente, ainda mais incrível. O que me chama a atenção é a ironia deles se apresentarem em pleno século XXI, era da “pós-modernidade” (seja lá o que isso realmente for) - quando toda essa modernidade apresentada parece ainda mais velha.

É com esses ícones altamente questionáveis da modernidade que o Mario levanta, que eles retratam o momento histórico-cultural-ideológico em que a própria banda surgiu, mas eles próprios são resultados dessa modernidade - e eles sabem muito bem disso. Qual é exatamente a diferença entre música sintética, exploração da energia por meio do enriquecimento de urânio e criação de robôs? Do ponto de vista de evolução técnica da humanidade, isso pode soar (e é) tudo a mesma coisa. A diferença é que a música tem o potencial para ironizar essa sua condição de forma inofensiva e divertida - enquanto a maior ironia da energia nuclear é, bem… a letra da música já dedura: Tschernobyl, Harrisburg, Sellafield, Hiroshima.

Do ponto de vista da apresentação, uma das coisas que mais chamam a atenção (e incomodam os mais desavisados) é o fato dos músicos não se mexerem - é o aparato técnico que torna o show deslumbrante, em mais uma ironia com essa fascinação tecnocêntrica. E um dos pontos altos da apresentação torna isso ainda mais evidente: os alemães dão seu lugar no palco a robôs com movimentos altamente limitados, supostamente substituindo os músicos na execução daquela que talvez seja a mais dançante das músicas do show. A ironia continua com a letra: “We’re functioning automatic” - e ainda tem (mais) um tapa de leve na cara do público quando diz “and we are dancing mechanic” - afinal, a mecanização não é só por parte do artista.

Aí a gente para pra pensar. A música eletrônica continua aí, cada vez menos guetificada (vide a própria obra do Radiohead, que seria muito diferente sem a influência, ainda que indireta, das experiências do Kraftwerk na década de 70). Usinas nucleares também estão aí. Megaempreendimentos progressistas, como trens e auto-estradas, também. Modelos continuam desfilando no mundo da moda. Shows megalomaníacos e high-tech estão sempre em alta (vide Madonna, U2, Radiohead e o próprio Kraftwerk - e também cinemas Imax, musicais da Broadway, etc etc etc.) E as calculadoras de bolso evoluíram e fazem mais música do que nunca.

PS: Quer ver o show deles? Procure pelo DVD Minimum-Maximum. Vale a pena.
PPS: As fotos deste post são de RCB Photos e Cristal en Vivo. Creative Commons, como tudo deveria ser.

Silencio

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Prêmio Release Grotesco

Salvos por órgãos de Eloá viram estrelas em ‘Oscar’ dos transplantes

Os pacientes beneficiados pela doação dos órgãos da estudante Eloá Pimentel, assassinada no ano passado em Santo André , no Grande ABC, serão as estrelas da cerimônia de entrega do Prêmio Destaque em Transplantes, uma espécie de “Oscar” do setor. Maria Augusta dos Anjos (coração), Emerson Gentil Dardes (pâncreas e rim) e Livia Amodio Novais (córnea) irão entregar prêmios às equipes vencedoras.

O evento acontece logo mais às 11h, no auditório “José Ademar Dias” da Secretaria, que fica na avenida Doutor Arnaldo, 351, em Cerqueira César , zona oeste de São Paulo.

Secretaria de Estado da Saúde
Assessoria de Imprensa

Essa sociedade do espetáculo não é emocionante?

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Uma breve lista de nomes que têm me assombrado ultimamente: Eisenstein Tarkovski Fellini Lynch Bergman Beckett Kenna Artaud Benjamin Baudrillard Virilio Welles Kantor Lehmann Visconti Kubrick Huxley Deleuze Pessoa Dostoievski Guattari Pirandello Joyce Foucault Proust Gorz Jameson Visconti Sófocles Homero Bauman Godard Wilson Orwell.

De volta, nada de novo

Sim, sou extremista e afobado, como já estão cansados de saber os amigos. Após um mês sem atualizar o blog, eu já achava que ele não sobreviveria. Ou que eu não o quereria mais. Mentira. Cá estamos de volta, bem, amigos do 1,0,100.000 (qual outro blog por aí dá pra escrever o nome em código binário, hein??).

Mas este é um post sobre banalidades. Ou sobre coisas não tão banais assim, mas que talvez não interessem a ninguém mas que vale a pena registrar - ainda que para que eu mesmo releia daqui um tempo.

É um post para registrar o quanto algumas pessoas conseguem nos surpreender mesmo após conhecê-las por anos e anos. E como ficamos felizes com o que nos revelam, torcendo pela felicidade delas.

Também é um post para registrar como um ano de realizações pode, ao mesmo tempo, ser cansativo, massacrante. Como projetos de vida também têm sua cota de desgaste, invasão, exploração. E é bom me preparar que é só o começo, por aí vem bem mais.

Ia escrever sobre mais alguma coisa, mas deixa pra lá, já me esqueci o que era. Termino o post questionando sua (in)utilidade. Já pensando que ele poderia ser substituído por uma imagem de patinho. Mas é o que posso escrever agora, e a preguiça e cansaço são maiores que a disposição de procurar imagens.

Sorte ou azar de quem lê. É a vida.

Just for Fun

jokeypo