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Dia de Sorte

25May08

Num único dia, vejam só: descubro que sou o pior ventríloquo do mundo e, na saída de uma peça, tiro uma foto com Odete Roitman!

Dias Frios

21May08

Saiu a terceira temporada do Monty Python’s Flying Circus, e pelo que vi até agora, está ainda mais engraçada do que as demais. Mas não consigo assistir porque durmo antes de terminar a vinheta de abertura.

Acabaram-se as lamúrias, tenho novamente uma câmera fotográfica bacana - que devo estrear oficialmente em breve. Também estou apto para estar mais conectado 24h a tudo, se a operadora resolvesse o problema da minha linha e liberasse o acesso à rede 3G. Sim, têm sido dias consumistas estes que passaram.

Há meses não ensaio. Um dos grupos de teatro deixou de existir já faz tempo; o outro, após a expulsão da usina de lixo onde ensaiávamos, acaba de se estabelecer em uma nova sede: um hospital psiquiátrico ainda em atividade. Até agora, ainda não rolou nenhum ensaio no local - apenas reuniões, estudos e debates sobre como trabalharemos naquele espaço tão emblemático. E, principalmente, como lidar com a realidade delicada e dolorosa daquele lugar e daquelas pessoas.

Somado a isso, continua a revista - e eu tenho dado menos atenção a ela do que deveria. Além da revista, reuniões de produção cultural que terminam de ocupar todo o raríssimo tempo que ainda havia disponível. Não consigo mais cumprir minha meta de nadar uma vez por semana. Há meses não consigo entrar numa piscina - e minha coluna reclama, estala, dói. Acho que nunca me senti tão sedentário. Em horário comercial as coisas vão se esquentando, se agitando, me consumindo. Acho que nunca me senti tão cansado.

E eu simplesmente passo pelo tempo, meio atônito, meio sem saber no que me concentrar, meio sem saber o que combater, meio sem saber o que mudar, meio sem forças. Apenas continuo. Sem saber onde tudo vai parar e sem nenhuma perspectiva de melhora. Mas também sem pessimismos - só um pouco de frieza e distância. A vida fica muito mais triste quando contamos apenas com a compreensão dos amigos, e não mais (espero que temporariamente) com os bons momentos vividos juntos.

Uma noite pra curtir a cidade

27Apr08

Teatro Municipal

Ser apaixonado por São Paulo nunca me impediu de dizer que acho a cidade horrível. Não horrível porque não tem jeito, mas porque simplesmente não sabe ser bonita - e ainda assim tenta se enfeitar sem o menor critério. Um exemplo: quem disse que aquele pontilhão megalomaníaco na Marginal Pinheiros deixará aquela avenida ou a cidade mais bonita? E a torre cafona do Hans Donner na Paulista? São como bijuterias numa pessoa que não sabe se vestir. Mas pode até ser que essa falta de senso estético seja um dos charmes dessa cidade torta, vai saber…

Então tá. Aí vem a Virada Cultural - e a questão de beleza se relativiza porque a cidade repentinamente olha para si, se reconhece e gosta do que vê. Ano passado já havia escrito sobre o evento e a opinião se mantém. Esse ano tive mais paciência: apesar da programação teatral miada, encarei uma leitura cênica do Teatro da Vertigem às 3 e meia da manhã, e em seguida fui até o Largo São Francisco dar um abraço em uma amiga antes de ir embora. Mas no trajeto de volta para a Praça Roosevelt, onde estava meu carro, não resisti e fui dar uma última volta pelo centro.

A austeridade e tradicionalismo fúnebres do Largo São Francisco desapareceram com o colorido brega da decoração e iluminação de raves e festivais de psy-trance. O prédio da prefeitura e o Shopping Light, cada um em sua extremidade do Viaduto do Chá, apesar de fechados, coloriam e iluminavam a noite. O Teatro Municipal também brilhava, e a cidade inteira estava em espírito de festa. Tudo isso já era suficiente pra ficar (mais) feliz de morar em São Paulo, mas nenhuma decoração, luz ou enfeite se deixava a cidade mais alegre do que a presença das pessoas que abarrotavam tudo em plena madrugada.

Diferente de um ano novo na Paulista, de uma comemoração de aniversário da cidade ou quaisquer outros eventos sindicais, a Virada não ocorre num feriado e, portanto, as pessoas estão presentes na cidade - e estão dispostas a abrir mão de algumas horinhas de sono para curtir a metrópole onde vivem. E então vem o trunfo de ter programação pra (quase) todos os gostos: desde DJs tocando reggae improvisadamente no Viaduto do Chá até Zé Celso tocando piano na Dom José Gaspar - passando por filmes do Godard e de vampiros sendo exibidos ao longo da madrugada (e olha que esse ano a programação me pareceu bem menos pluralizada do que no ano passado!). A diversidade traz gente de todo tipo, de todos os lugares, da cidade inteira - todo mundo junto, andando, se estranhando e - porque não? - se conhecendo, ainda que apenas com os olhos.

E quem precisa de programação quando o melhor programa é simplesmente caminhar, caminhar, caminhar? Mais que caminhar, descobrir passagens, calçadões, mapear mentalmente a geografia (normalmente ignorada) do centro, enfim: OLHAR para a cidade. E, no meu caso, tentar fotografá-la (ainda) com meu equipamento precário.

Na volta pra casa, o sol começa a colorir o céu com um verde-azulado meio esquisito. E eu só penso no quanto, apesar de todos os problemas (que são muitos), morar nessa cidade é ducaralho.

Viaduto do Chá
Praça Ramos de Azevedo

Brecht

25Apr08

Quando o pensador se viu diante de uma grande tempestade
Ele estava sentado num grande veículo
E ocupava muito espaço.
A primeira coisa que ele fez foi sair do veículo
A segunda foi tirar seu casacão
A terceira foi deitar-se no chão
Assim ele venceu a tempestade
Reduzido à sua menor grandeza

Falta um tanto ainda, eu sei

14Apr08

Ah, se existisse um plugin cerebral que publicasse automaticamente tudo o que a gente pensa “quero colocar isso no blog”… Esse site aqui seria bem mais movimentado. Mas enquanto isso não existe e cada postagem exige um tempo mínimo de redação, as coisas ficam mais monótonas mesmo.

O tempo tá escasso. Tá difícil de equilibrar as três vidas (a de publicitário, a de crítico/editor de teatro e a de ator/produtor). Com isso, as outras funções que a gente tem na vida (amigo, familiar, colega, dorminhoco, blogueiro, fotógrafo) acabam ficando muito em segundo plano, o que é muito, mas MUITO ruim. Algumas coisas precisam mudar, só algumas coisas.

Mas alguém disse que seria fácil?

Saudadinhas

02Apr08

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Ele de novo, o Caeiro

01Apr08

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as cousas humanas postas desta maneira.
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Caeiro

17Mar08

Falaram-me os homens em humanidade,
Mas eu nunca vi homens nem vi humanidade.
Vi vários homens assombrosamente diferentes entre si.
Cada um separado do outro por um espaço sem homens.

Exorcismo Express

13Mar08

Muito melhor que sessão do descarrego e não requer o pagamento de dízimo: precisa só de um computador com internet, um som bacana (pode ser até o do computador, se tiver um fone ou caixas de som boas) e pouco mais de uma hora livre.

1) Baixe o CD Alive 2007, do Daft Punk (sim, aquele duo francês que nunca aparece em público sem capacete).

2) Grave-o em um CD, em seu iPod ou qualquer outro meio onde você possa reproduzi-lo.

3) Quando estiver pronto, ajuste o volume do som em um nível alto o suficiente para que você não disperse sua atenção com outra coisa, mas que não distorça o som.

4) Importante: se você tem preconceito com música eletrônica, tente abstrair. Ao final, verá que valeu a pena. Se você curte música eletrônica, abstraia também. Faz bem.

5) Comece a ouvir o CD na seqüência - não pule as faixas.

6) Deixe seu corpo leve e faça o que ele pedir - certamente ele vai querer dançar. Não reprima os movimentos. Se estiver no trânsito e perceber que as pessoas estressadas te olham estranho, repita mentalmente o seguinte mantra: “foda-se, foda-se, foda-se”.

Após este breve ritual, você estará muito mais leve e terá economizado algum tempo de terapia. Os efeitos serão multiplicados por 10 se você já tiver visto algum show da dupla - neste caso, sorrisos e arrepios esporádicos durante o rirual são normais e absolutamente saudáveis.

Repita o ritual quantas vezes achar necessário. Xô satanás.

Ni!

13Mar08

Deus sempre demora a se lembrar do Brasil, mas ele existe. Foi esse o pensamento que me veio ao descobrir que finalmente seriam lançadas as temporadas do Monty Python’s Flying Circus, o programa humorístico mais brilhante de toda a história da televisão mundial. E quem conhece Monty Python sabe que não há exagero nenhum no que estou dizendo.

E o melhor, a segunda temporada já foi lançada, com apenas duas semanas de diferença do lançamento da primeira. Eles são tão bons, mas tão bons, que eu até tomei a iniciativa de comprar os DVDs originais. Só espero que os lançamentos das temporadas continuem nesse ritmo.


 

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